
Existe um momento do lusco-fusco onde tudo parece se aquietar. Existe o momento que fecha o dia e antecede a noite. Existe o silêncio! Existe a noite. E é esta situação que os fotógrafos Lia Lubambo e Gustavo Bettini resolveram registrar. O que acontece quando anoitece no sertão? Que luzes aparecem, que fazem os sertanejos, como se resolve a vida depois que o sol se põe?
A decisão estética foi de só trabalhar com a luz natural. Lua e estrelas orquestrando e decidindo o que seria e o que mereceria ser fotografado. Luzes, rastros, vestígios. O sertão pernambucano aparece nestas imagens imortalizado por uma luminosidade que relembra os impressionistas. Afinal, foram eles, que no final do século XIX afirmaram não pintar as árvores, mas o verde, não pintar o céu, mas o azul. E desta maneira que paisagens e personagens aparecem e se constroem nas imagens, ou melhor através dos olhos de Lia e Gustavo.
Fotografias, sublimes, delicadas. Olhares soltos que parecem se deixar surpreender, mas ao mergulhar nas fotografias percebemos o controle e o conhecimento do fazer fotográfico.
Em uma época em que a imagem determina nossa maneira de ser no mundo, Lia Lubambo e Gustavo Bettini, nos oferecem uma sinfonia de afetos. A fotografia protagonista de um discurso onde as palavras não são necessárias. A fotografia que se apresenta em sua forma mais sublime. O olhar fotográfico se basta e a noite se ilumina para nós!
Simonetta Persichetti



