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A persistência da paisagem

19/Set/2012 a 11/Nov/2012

Antonio Mendes - Curadoria: Raul Córdula

Jovem artista, ele conheceu no seu início vários artistas, uns de sua geração e outros mais velhos, mas seus passos decisivos em busca da arte como meio de realização humana se deu sob a orientação de Maria Carmem. Muito rigoroso prático e preciso, ele processou o que lhe interessava na pintura, deixando de lado as maneiras próprias da sua orientadora. Utilizou a norma de Nietzsche: “Não corresponde ao mestre aquele que não passa de discípulo.” Antonio Mendes é hoje um senhor pintor de paisagens que domina a imagem em sua frente, conhece as nuances da luz, usa corretamente a perspectiva, pois desenha muito bem e sabe o que a cor significa.

A pintura de Mendes atualmente se divide em dois caminhos: a paisagem realista, isto é, aquela onde se reconhece o lugar, o panorama, o ângulo pintados e a paisagem onírica, onde os elementos da paisagem se confundem numa atmosfera de beleza inconsciente. Esta exposição é composta dessas paisagens oníricas.

É de se convir que a persistência da paisagem num jovem artista que vive cercado das mais variadas tendências artísticas, como acontece na arte do Recife, é uma atitude de amor e respeito à arte da pintura. Há muito que a pintura deixou de ser o centro das artes plásticas, isto ocorreu desde quando o conceito de Arte Plástica transformou-se no de Arte Visual, ampliando assim as possibilidades dos meios de expressão e do uso dos materiais. Agregaram-se às artes plásticas conceitos e teorias, a noção de tridimensionalidade transgrediu a escultura e ocupou o espaço com outra linguagem. A linguagem se soltou e assumiu o comando, a arte saiu da superfície e conquistou o corpo e a imagem capturada eletronicamente. A arte contemporânea nos encanta com as possibilidades impossíveis de onde chegará. Vivemos então numa encruzilhada que leva a se pensar no fim da arte (Danto) ou na arte apenas como atitude. É verdade, muitos jovens artistas trabalham nesta perspectiva: arte é atitude.

Pintar paisagem neste mundo de agora tem alguma coisa de excêntrico, mas Mendes não está só, ele é acompanhado por artistas como Marcelo Peregrino, Roberto Ploeg, Álvaro Caldas, entre outros e segue a trilha por onde caminham José Cláudio, Eduardo Araújo, Plínio Palhano, Guita Charifker,Luciano Pinheiro, entre outros.

Nesta seleção que a Arte Plural Galeria entrega ao seu público se pode notar um namoro com a não representatividade, ou com o abstracionismo, palavra preferida do público – na verdade não há arte abstrata, toda obra de arte em forma de objeto, é concreta. Visitamos as sequências de pinturas deste seu último período e vimos à recorrência de alguns símbolos muito claros. Símbolos que representam o centro, a centralidade do homem que ele representou em muitas telas em forma de farol – que não selecionei para esta mostra por se diferenciar do conjunto. Um farol que se sobressai – é claro – ao casario que lembra o de Olinda, o território marcado pelo farol que diz: Estou aqui.