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Aglutinar

08/Jul/2013 a 11/Ago/2013

Carlos Pragana - Curadoria: Maria do Carmo Nino

Tempo e espaço, atuam ambos como ritmos condensados em uma composição simultaneamente musical, poética e fundamentalmente plástica entre pintura e desenho: eis para mim o grande amálgama da obra de Pragana. Ao eleger a colagem como poesia à convicção ele parece fazer um testamento de fé sobre o reconhecimento do poder metafórico das operações presentes neste processo em relação à própria ideia de sobrevivência humana, em meio a alegrias, infortúnios, e a necessária superação, o que nos atinge a todos.

Tudo se passa como se esta técnica fosse evocadora ela mesma deste status quo, afinal o ato inicial de pintar o papel, rasgá-lo ou cortá-lo em fragmentos para em seguida integrá-lo em uma totalidade concebida em líricas ordenações figuradas feitas expressamente para nos provocar subjetivamente, parece corroborar a condição da nossa existência humana, situada pendularmente entre os pólos de construir / desconstruir. Estamos todos, sempre, nos reinventando. Não por acaso, uma de suas exposições anteriores denominou-se “Desconstruções”, enquanto esta mostra atual se coloca dialeticamente no lado oposto do “Aglutinar”. Toda esta experiência vivenciada positivamente em pintura o deixa ávido a recomeçar, reacende o desejo, levado pela inspiração, esperando mais energia, vitalidade, condenado a pintar hoje e sempre, e, principalmente, permanecendo irredutivelmente fiel a si mesmo.

Compor, operação fundamental nesta mostra, é literalmente, por junto. Mas o que mais aglutina o artista? Ao seguir os meandros tem-se a sensação que linhas, cores e formas em seus diversos contrastes se autonomizam e surpreendem até mesmo o seu autor, parece que tudo é resgate de algo já desenhado e estampado no passado e ao mesmo tempo torna-se incrivelmente novo, torna-se poesia. Os vários processos oníricos de condensação, deslocamento, associação e cenarização através de decupagens, superposições, palimpsestos, oscilando entre a horizontalidade e a verticalidade, ou um compósito entre elas, tem por objetivo fixar o dinamismo e a constância das linhas de força criadas pelas texturas, enfatizadas pela luz, e animam também nosso espírito e nossa imaginação. Ao invés de nos questionarmos sobre o que estas imagens significam, deveríamos nos concentrar a discernir sua verdade emocional e nos regozijarmos com a aquisição de saber que elas nos proporcionam.

 

Maria do Carmo Nino