
A psiquiatra brasileira Nise da Silveira escreveu: “certamente há muitas maneiras de ver as coisas. Existem aqueles que têm olhos apenas para o mundo exterior e esperam cópias mais ou menos aproximadas de seres e de coisas da natureza externa. Outros, aceitam existência de uma realidade interna, mesmo que mais ampla que a natureza externa, realidade que unicamente pode ser apreendida e comunicada por meio da linguagem visual”. Parece que Hélia Scheppa se encaixa com perfeição na segunda hipótese. As suas fotografias aqui expostas, realizadas todas por meio de seu telefone celular, trazem muito mais do que pode ser visto, muito mais do que a cena que se apresenta à sua frente.
Nos retratos, nas imagens da natureza, nos pequenos detalhes e fragmentos que captura, suas fotografias parecem ter saído do mundo dos sonhos. Imagens roubadas do seu imaginário, onde o mundo externo serve apenas de recurso para concretizar o que sua mente já construiu. Representações imediatas de sua forma de pensar e imaginar. A delicadeza das cores, das formas e das sombras. Imagens que se insinuam e pedem para ser reveladas. Recortes de um cotidiano, como se cada cena se bastasse por si só, numa época em que a série e a multiplicidade de fotografias parece se impor. Como um descanso para nossos olhos que podem se perder na imensidão de suas paisagens oníricas!
Simonetta Persichetti



